Em período das férias grandes, cabia-me a ordem de ir até Dalvares, acompanhar um dos meus irmãos, o que era afilhado do senhor Professor Celso Gomes, que e ali morava. Natural de Cabaços – Moimenta da Beira, pelo matrimónio com D.ª Mimi (uma das quatro meninas da Casa Grande de Dalvares, no Largo do Eirô), para ali veio morar, nunca chegando a ter filhos. Residiam numa bonita moradia, com jardim, quintal, água corrente, horta e fruteiras, situada entre a Igreja e a Casa do Paço, que era o encanto de quem lá entrava. Após as primeiras conversas, logo aparecia o Nelinho (depois Doutor e Professor na Universidade de Vila Real e já falecido), um dos seus sobrinhos, para connosco brincar e depois fazer companhia na tão esperada e saborosa “merenda”.
De regresso dessa visita, pelo estreito estradão de terra batida e sem casas nas bermas, até aos Carvalhais, para apanharmos o “carro do correio” que nos levaria a casa, ali reencontrámos o Prof. Celso, que sendo Presidente da Câmara, ajudava no derrube de uma enorme árvore. Estava ela, em nível superior, num muro de certa altura, que era preciso derrubar, para alargar e compor esse estradão.
Em cima, dois homens moviam um “traçador” junto à raiz da árvore e, cá em baixo, outros retesavam uma grossa corda que, atada à árvore, a puxaria para aquele lado. Entre eles, estavam o senhor Professor Celso e o senhor Lucílio (funcionário da Câmara Municipal e bem conhecido em todo o concelho pela responsabilidade em todos os serviços: eletricidade, águas, obras…e caminhos). Mas quando foi preciso mais um pouco de força, a corda partiu, e todos eles caíram, enroscando-se uns por cima dos outros, soltando brados de aflição. E os que estávamos de mirones, depois do susto e tristeza, juntámos os nossos risos aos dos estendidos no chão, quando viram que só pequenas escoriações haviam ficado.
E não é que esse estradão, em boas condições e todo ladeado de bonitas moradias, é hoje denominado de Avenida Prof. Celso Gomes? Mera coincidência ou gratidão a quem por ela sofreu?