Hoje, vou dar vida àquela azenha de azeite, em ruínas, que está junto à ponte fortificada de Ucanha, que beija a margem esquerda do Rio Varosa.

Estávamos na década de sessenta do século passado. Poucos olivicultores procediam à colheita da azeitona antes do Natal. A maioria defendia a certeza da mensagem veiculada pelo provérbio popular: “a vareja, antes do Natal, o azeite fica no olival”.
Assim, o grosso da colheita da azeitona e o início da laboração da azenha ocorriam no mês de janeiro.
O funcionamento da azenha era baseado na força motriz da água da levada do Rio Varosa, que tinha, e ainda tem o seu início na zona do Pego, atual Praia Fluvial de Ucanha.
A montante da azenha havia um canal de granito que conduzia a água para o interior do edifício e que fazia rodar as mós que transformavam a azeitona numa massa viscosa. Essa massa era introduzida em ceiras para serem prensadas. Do aperto da prensa resultava o azeite sangrento, que sofria um processo de depuração até à obtenção do azeite puro e dourado.
Na fornalha, sempre municiada por lenha, assavam-se frequentemente as batatas e o bacalhau, para serem regadas com o azeite novo e com o néctar de Baco que animava e tonificava os dois trabalhadores da azenha, os olivicultores (de Ucanha, Gouviães e doutras paragens) e alguns aldeãos que ali passavam o seu serão. Em dias de tempestade, as águas revoltadas e “zoeirentas” do Rio Varosa lambiam o peitoril e a porta da Azenha, que confinavam com o rio.
O vento assobiava e entrava pelas frinchas da porta e ameaçava o levantamento das telhas. Mas, era nesses dias, que no interior da azenha se melhor deliciavam as batatas a murro com o bacalhau.
Coordenadas para a acessibilidade e localização da azenha:
41.048671, -7.746721